domingo, 7 de outubro de 2007

Risada S/A

Piadas. Eu adoro piadas. De qualquer gênero. Não há coisa mais saudável que soltar uma boa gargalhada após ler uma das tantas situações surreais e inesperadas da piada. Humor ligeiro e expressivo. Atemporal! Grandes humoristas, grandes sacadas. Desde o começo dos tempos, esses pequenos textos se espalham, seja pela tradição oral, seja pela escrita. É quase impossivel sabermos com certeza a autoria da maioria das piadas. Claro que Costinha, Ari Toledo, Chico Anisio e outros tantos que não recordo agora, são autores geniais, de algumas das mais famosas pérolas de humor... Mas ao ler uma piada, ou ouvir e até ao contar, prefiro pensar que a piada surgiu do nada. Veio no vento e vai durar para sempre! Eis um conto em que juntei algumas piadas que encontrei por ai.
Você entendeu ou quer que eu explique?
Risada S/A

O Sr. João da Silva é uma pessoa extremamente calma e comum, não tem cacoetes, não tem vícios e nunca pensou em trair sua esposa Nair. Casado por trinta anos com a Sr(a). Nair, até o presente momento, seguindo as normas de boa conduta como um verdadeiro monge budista em qualquer templo perdido na Ásia, o Sr. João da Silva é um exemplo de integridade. Esse belo casal tinha uma filha chamada Bela Emilia, que morava na Europa. Eles tinham também o caçula de 12 anos, chamava-se Juca, o famoso Juquinha.
Em uma terça feira despretensiosa qualquer Juquinha estava brincando pela casa com uma bexiga na mão. Quando entrou no banheiro ele a deixou escapulir, caindo justamente dentro da privada. Com nojo, ele largou a danada ali mesmo. Pouco tempo depois seu pai entrou para se "aliviar" e nem notou a bexiga. Ficou ali, lendo um jornal antigo e mofado, enquanto fazia o serviço. Ao terminar, olhou horrorizado para o vaso sanitário. Suas fezes haviam coberto o balão e a impressão era de um imenso, um absurdo, um gigantesco bolo fecal! Sem acreditar naquilo, ligou ali mesmo, do celular, para o seu amigo que era médico.
Geraldo, eu enchi a privada de bosta. Nunca vi tanta assim na minha vida! Tá quase passando do limite do vaso! Acho que eu devo estar com algum problema sério no estomago.
Oras, o que é isso João, você deve estar exagerando como sempre.
Que exagerando, o quê! Eu tô olhando pra esse monte de merda agora mesmo. É um absurdo! Eu devo estar doente!
Bom, eu já estava indo para casa, aproveito e passo aí que é caminho!O médico chega e vai direto ao encontro do amigo.
Cadê o negócio, João, que eu vo... Nossa mãe do céu, que é isso? O que você comeu desgraçado?
Não te disse? Viu como eu não estava pra brincadeira?
Nossa! Isso não é brincadeira. Vai entrar para os livros especializados.
E então, será que eu tenho alguma coisa séria?
Olha, melhor eu pegar uma amostra desse enorme pedaço de bosta e mandar para uma análise especializada. O médico tira do avental uma pequena espátula e quando abaixa para coletar o material...
Buuuuuuuuuuuuuuuuuuuuummmmmmmmmmmmmmmmm!
A bexiga estoura! É merda que voa pra tudo que é lado! Os dois, embosteados, se olham e, estupefato, o médico berra: - Puta que o pariu! Eu achava que já tinha visto de tudo, mas peido com casca, nunca!

Realmente o doutor Geraldo passou por uma grande descoberta da medicina. Alguns dias depois da tragédia, o fato é que a família teve uma visita há muito tempo esperada. Era a filha do senhor João e da senhora Nair, Bela Emilia, que não aparecia em casa há mais de cinco anos, quando voltou seu pai a encheu de perguntas:
- Onde você estava durante esse tempo todo, desgraçada? Por que não escreveu sequer uma notinha dizendo como estava? Por que não telefonou? Não sabe como a sua mãe tem sofrido por isso?
A garota, chorando, respondeu:
- Snif, Snif... Pai... Virei prostituta...
- O QUÊ? Fora daqui, sem vergonha, ordinária, pecadora, vergonha da família, não quero te ver nunca mais!
- Tá bom, papai. Como o senhor quiser... Eu somente voltei aqui para dar este casaco de pele e as escrituras da minha mansão no Morumbi para a mamãe, uma caderneta de poupança no valor de cinco milhões para o meu irmãozinho e, para você, paizinho, este Rolex de ouro puro, o BMW Zero KM que está lá na porta e um título vitalício do Jockey Club... E um convite a todos para passar o Reveillon a bordo do meu iate em Búzios, e...
- Você disse que tinha virado o que, mesmo?
- Prostituta papai... Sniff, sniff…
- Ahhh, booommmm! Que susto você me deu menina... Eu tinha entendido PROTESTANTE!

Como é bom ver uma família resolvendo seus problemas, concorda? Difícil é resolver aquele problema de empregada curiosa ouvindo as coisas por trás da porta. Tem coisa mais cretina do que isso?
Na casa do senhor João, isso era movimento de praxe da digníssima. O nome da pentelha era Jocilda Suzicley. Uma moça muito fina, vinda do interior nordestino. Tão bonita quanto uma mistura de dragão de komodo com um pacote de bombril. Um dia a Jocilda arruma um namorado.O namorado dela era um cara também muito fino, muito parecido com um borrão preto, uma mistura de guache preto, com piche, com nanquim e um pacote de bombril. O nome do cara era Odvan, segundo seus pais, uma homenagem à música do Roberto Carlos, chamada "O Divã". Mas ele era mais conhecido pelo bairro como Bueiro. O Bueiro tinha um bafão que era uma coisa de louco! Parecia que tinha uns cadáveres dentro da boca do coitado. A cada vez que ele abria a boca, todo mundo começava a se cheirar e entreolhar, achando que alguém tinha cagado nas calças.Os dois estavam namorando, quando decidiram ir para um lugar mais reservado. Um motel da cidade, muito bom e famoso por ter até colchões nas camas! Apesar do luxo do quarto, as janelas estavam com um pequeno problema de inexistência! E o ventilador estava quebrado. Ainda bem para o casal que fazia um calor moderado na noite, de 34° mais ou menos, então a Jocilda pediu um favor para seu querido namorado Bueiro:- Buêeeru, meu amorrr. Mi faiz um favô? Quando você fô falá, levantia assim dois dedu que eu mi iscondu dibaixu dos lençól i aí você fala!E assim vai. Eles estão pra começar o rala e rola quando ele esboça querer falar alguma coisa. Daí ela interrompe ele e briga: - Buêeeru! Eu te falei pra levantar assim dois dedu!Mas ele esboça querer falar de novo e ela fica mais puta ainda: - Buêeeru, tu vai mi matá se tu falá! Levanta us dedu e eu entro aqui embaixu!E assim o fez. Bueiro levantou os dois dedos e ela se escondeu debaixo dos lençóis!- Buêru, meu amorr! Pode falar agora!
- Eu... Eu... PEIDEI!

Como pobre sofre em todos os sentidos, concorda? Mas não é só a empregada do senhor João e da senhora Nair que se fode nessa vida. Professores que deram aula para o Juquinha, também tem muito do que reclamar. Era época dos exames finais e a professora do Juquinha mandou que todos os brilhantes alunos escrevessem uma redação, onde fossem tratados os seguintes temas:
1. Monarquia
2. Sexo
3. Religião
4. Mistério
Quem terminasse estaria dispensado e poderia voltar para casa. Passados míseros segundos, Juquinha levanta a mão e diz que terminou. A professora sem acreditar pediu que ele lesse a sua redação. Ele se levantou, pegou a folha de papel, coçou a garganta e disse:
- Mandaram a rainha tomar no cu. Meu Deus! Quem terá sido?

Com toda essa engenhosidade na escrita, o Juquinha vai longe se apostar na carreira de escritor. E alguns anos depois, já na adolescência, ele foi longe mesmo!
Estava o senhor João no quarto do filho, quando viu um bilhete em cima da cama. Ele foi até lá, já temendo o pior, e começou a ler o seguinte:
Caro Pai, É com grande pesar que lhe informo que eu estou fugindo com meu novo namorado, Juan. Estou apaixonado por ele. Ele é muito gato, com todos aqueles piercings , tatuagens e aquela super moto BMW que tem. Mas não é só. Por isso, descobri que não gosto de jeito nenhum de mulheres e como sei que o senhor não vai consentir com isso, vamos fugir e ser muito felizes no seu” trailer “. É que ele quer adotar filhos comigo, e isso foi tudo que eu sempre quis para mim. Aprendi com ele que maconha é ótima, é uma coisa natural que não faz mal pra ninguém, e ele garante que nosso pequeno lar não vai faltar marijuana. Juan acha que eu, nossos filhos adotivos e os seus colegas gays vamos viver em perfeita harmonia. Não se preocupe papai, eu já sei me cuidar, apesar dos meus 15 anos, já tive várias experiências com outros caras e eu tenho certeza que Juan é o homem da minha vida. Um dia eu volto, para que o senhor e a mamãe conheçam os nossos filhos. Um grande abraço e até algum dia.

De seu filho Juquinha, com amor.

O pai quase desmaiando continuou lendo o rodapé:
PS: Pai, não se assuste. É tudo mentira e estou na casa da Mariana, nossa vizinha. Só queria mostrar para o senhor que existem coisas muito piores que as notas vermelhas do meu boletim que está ai na primeira gaveta”.Abraços, Seu filhão Juca, burro, mas macho.

Depois dessa, o senhor João virou protestante, atitude da qual sua filha Bela Emilia reclama até hoje. A senhora Nair comprou um papagaio só pra ensina-lo a repetir alguns salmos. E o Juquinha casou com a primeira loira burra que encontrou pela frente.

Sérgio Ferrari