quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O que te espera na rede? Algo dos encontros inusitados. Pelo bem ou pelo mal.

Essa garota de cabelo colorido me influenciou a escrever um conto! Ela tem cabelo escuro e olhos cintilantes. É bonita...Ou esta só enganando.

Colorido dos cabelos foi um paradoxo. Deve estar na aura mesmo.

Apareceu pela minha curiosidade natural e comum a todos, desse mundão de redes de relacionamento e comunidades que pipocam pela net.

Alias, em poucas semanas, reencontrei nesse meio, quente e frio, uma amiga querida, cheia de alto astral. Ela estudou há algumas eras comigo. Bonita, cheia de boas histórias, humorada... Ou é só meu lado otimista? Báh... Se a ela coube ser ela, já é algo muito, muito bom.

Você, volto a você.

Eu dei um tema pra ti. Mas quer saber a verdade? Nem eu consigo escrever sobre a fragilidade de conhecer um estranho por aqui. Você definiu melhor do que eu.

São tantos personagens. É a web que já fundiu a vida de todos. É inevitável.

Querem saber a verdade? Eu a imaginei uma casca grossa, mas é nada. É suave, suave.

Nada melhor para um final de tarde. Recomendo! Ainda que eu arrisque. Pois agora já sabem que de você nada sei... Por enquanto, talvez.

Tem sacadas interessantes. Vou conhecer mais. Mas... Será?

Que quixotesco duelar com um perfil e uma presença que nunca se vê. Sorte eu ser tão positivo. Pelo menos a cultura não tem fronteira.

Taí o elo. Gostei. Vá ler o dela... Com todo o respeito. Pois sobre isso, ela fez melhor que eu:

http://www.helenahutz.blogspot.com/
Estando bom pra você.... Alias, se não estiver......Báhhhhhhhhhhhhh
Sérgio Ferrari

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Indice

E já que Os Amotinados, continuam encurralados em seu canto. E já têm coisa o suficiente para falarem. Vai aqui um índice com o que tem em cada semana do Arquivo do Blog, que fica ai ao lado. Começa da postagem mais antiga. Porque ninguém perde tempo fuçando, não é? (Pô, é verdade!).

Se o tiutlo agradar é só clicar e começar a leitura.

Ossos do meu ofício!

Aproveitem a mamata e obrigado pela visita!




06/17 - 06/24

Tocha Olímpica

Propaganda cretina dos anos 70. Trata-se de um isqueiro que não apaga nunca chamado ridiculamente de "Tocha Olimpica".

Declarar

Um editorial perdido, mas que dá a cara a tapa e fala um pouco do que é afinal Os Amotinados.

Vamos dar uma volta.

Um conto que é "a menina dos meus olhos". adoro a mistura de ferro retorcido, horários apertados, velocidade e sangue, que os personagens enfrentam!

O jogo do camaleão

Foi um dos primeiros que escrevi. Uma cena recortada, na vida de um garotinho de olhos azuis e assustados.

Manuscrito sujo de um moribundo.

Estava ali, debaixo de umas folhas secas. Tempos difíceis.

06/24 - 07/01

A dança do nativo

Um humor delicado. Uma cultura perdida e uma dança contagiante.

07/08 - 07/15

Amigo feromônio

Inspirado em amigos reais em situações surreais. Sujeira mesmo.

Reflexo da Loucura

Conto clássificado na fase regional do Mapa Cultural de 2005. Foi o grande vencedor na cidade de Osasco, entre centenas de participantes. Suspense sobrenatural, por Paulo Henrique Facchini.

Jurandir, O Malandro do Km 13.

Outro de Paulo Henrique Facchini. Humor da época de ouro e das rodas de samba.

07/15 - 07/22

O REDUTO POSLAVK

Um conto beatnik em paisagens absolutamente fantásticas. Por Denis Eduardo.

07/22 - 07/29 <<
(Para ler todos os poemas, por favor cliquem na data acima)Uma série de poemas modernistas, de linguagem rápida e toques de irônia na concepção das entrelinhas.

07/29 - 08/05

Mudando a paisagem

Como pode mudar tanto? Uma comédia acidental.

08/05 - 08/12

Apenas um favor

Aquele diálogo Ping-Pong.

08/19 - 08/26

Vintequatrohorasininterruptasdedrogas

Um soco na boca do estômago. Oscar de melhores efeitos especiais 2010.

08/26 - 09/02

Eles chegaram

Terror adolescentemente surreal. Em breve a segunda parte (Destruindo sanguinariamente os teenagers)

09/23 - 09/30

Tudo que você pode ganhar

Você pode perder!
Pare e pense: O que você gostaria de ganhar, para poder desfrutar por uma hora apenas?

10/07 - 10/14
Risada S/A

Piadas. Eu adoro piadas.


10/14 - 10/21

A NOITE DOS INVASORES

Uma comédia de fundo musical!

10/28 - 11/04

O coração esta partido

Um corpo que cai em tempos de TCC.

02/17 - 02/24

POLICIAIS NÃO GOSTAM DE NÓS

Um recorte no capitulo final de um adolescente meliante.

Por enquanto é isso! São todas boas escolhas, eu garanto...
Abraços

Tudo que você pode ganhar

Aleluia...Aleluia... Atualizei pessoal!

“Atenção povão, atenção” No calçadão, uma garota de terninho grita em um megafone, logo reunindo meia dúzia de curiosos em circulo. “Venham todos que precisarem de dinheiro... Vem pra cá povão!” Conquistou mais outras pessoas, atraídas pela palavra dinheiro. Ao mesmo tempo, João Arruda prova seu bife mal passado enquanto, distraído, observa a mistura de arroz e feijão no prato. Ele esta num boteco, arrumadinho até (o boteco), aproveitando como faz todos os dias de segunda a sexta feira, o seu horário de almoço. “Atenção povão... Vamos escolher aleatoriamente um de vocês, por favor, não se restrinjam a este circulo”.
A garota de terninho e cabelos curtos jogou sua franja multicolorida por cima da testa. Dobrou levemente os joelhos e agarrou o megafone com as duas mãos. “Estou vendo ele pessoal... é ele... Aquele senhor comendo sua refeição tranqüilamente”. A garota abre um sorriso enorme enquanto aponta para dentro do boteco, na direção de João. Ele esta de costas para a rua e não vê o amontoado de curiosos que o observa.
- Hey chefe.
João ergue os olhos para um rapaz que toma cerveja no balcão.
- Fala...
- Tu é o cara.
- Sou... E quem é você?
- Há... Se liga... Tua amiga ai fora acabou de te chamar.
João Arruda olha para a rua e lá esta a multidão, uns rindo, outros com a mão no queixo, de modo contemplativo, fitando aquele homem baixinho e mal vestido, comendo um prato feito.
- O que esta acontecendo? – João pergunta ao garçom que empilha pratos no balcão.
- A gatinha do megafone ta dizendo que você é o ganhador.
“ Vêm pra cá... Vamos dar inicio...”
Ele limpa a boca com um papel de seda oleoso, olha novamente para o rapaz que toma cerveja no balcão, olha para o garçom, para a rua. Para os olhos por alguns segundos na garota de terninho.
- Ixi... Ta doida. Não tenho dinheiro pra nada. To no meu horário de almoço. Ela quer o quê afinal?
- Sei não... Só sei que ta fazendo reboliço...
- É verdade...
Curioso, João Arruda caminha tranqüilamente para o caixa. Tira uma nota de dez e paga sua refeição. Pega o troco em balas de menta. Olha novamente para fora e é intimado por alguns espectadores.
- Vai logo, pô!
- O senhor trabalha aonde?
- Vai dar dinheiro pra gente?
“Vamos senhor, estamos lhe esperando”.
Ele anda e o corredor de gente se abre até parar na garota de terninho.
- Escuta... Foi algum engano. Eu trabalho no estoque de uma farmácia aqui perto, não tenho dinheiro e nem muito estudo. Eu não sei se isso esta certo.
Ela abaixa seu megafone, e sorrindo para João, enfia a mão rapidamente no bolso da calça jeans dele. Ela ergue a mão e retira um bolo de notas de cem.
“Olhem a mágica. Eis que surge a senhora sorte, contemplando este homem”.
João olhou estarrecido para o dinheiro, e logo começou a apalpar seus bolsos, vazios como de costume.
“Já logo lhe explico a situação. Seu nome?”.
- Jô... João... A – Arruda.
“Salve João...Me chamo Helena. Prazer! Sabe quanta sorte carrega você hoje?”.
- Não sei, qual é?
“Você poderia ser qualquer um aqui, olhe a sua volta e veja a multidão esperando por essa oportunidade”.
- Mas do que se trata?
“Sou promotora da empresa X e estou aqui nesse grande pólo comercial, para apresentar nossa máxima promoção! A linha de produtos X e Y quer mostrar aos seus clientes, toda a maturidade, qualidade e empenho em trabalhar a favor do conforto e lazer que pode proporcionar aos seus consumidores. Há dois anos no mercado de X, a linha de produtos X e Y pretende realizar um sonho. Em uma ação inédita no mercado, eu, como promotora oficial, tenho total liberdade para escolher o sortudo de toda uma vida... e você, João Arruda, é o escolhido!”.
Com a cabeça processando a enxurrada de informações inusitadas, João olha para cada rosto presente no aglomerado de pessoas, buscando algum conhecido com quem pudesse trocar impressões.
- Mas então, o que eu tenho que fazer?
“Você tem trinta minutos para escolher qualquer coisa que você deseje ganhar. Qualquer coisa mesmo. Não importa o valor ou a dificuldade”.
João sorriu, abaixando a cabeça e observando a ponta de seus sapatos.
- E se, por exemplo, eu pedir muito dinheiro?
“Você pode João. Mas deixe-me detalhar o regulamento”.
- Ta, pode ser. Eu topo.
“A partir do momento que você escolher, darei o prazo de uma hora para você gastar, usufruir, ou apreciar da maneira como lhe convier, aquilo que você ganhou. Após o prazo de uma hora, você terá que devolver tudo aquilo que você pediu, seja dinheiro, ou qualquer outra coisa. Inclusive as compras efetuadas”.
- Ah, mas isso é muito difícil. Só uma hora?
“É o regulamento... Pense em como vai ser bom, ter por uma hora todos os seus sonhos!”.
A multidão se empolgou com a proposta inusitada. Logo passou a fazer alvoroço, jogando opiniões de todos os tipos. Alguns exigiam que João compartilhasse sua escolha, outros pediam para a mocinha de cabelos coloridos à mesma oportunidade.
O que fazer? João queima seus pensamentos, mas nada lhe vem a mente. Ele não sabe o que pedir. O que pode ser consumido em uma hora? Ele não ficara com nada após o término do período. Talvez não valha a pena, ele tem que voltar para o serviço. João titubeia. Tem vontade de correr para longe daquela gente que o rodeia. Sua única prisão é o olhar cativante de Helena e seus cabelos coloridos. João se acha um velho caipira e sem educação e realmente ele o é. Ele é incapaz de pedir algo, é incapaz de ter tudo o que quer.
- Eu nunca imaginei algo assim. Eu tenho que voltar ao trabalho, eu, eu... Eu não to sabendo o que pedir.
“Claro que sabe, João. Foi você mesmo que se inscreveu nessa promoção. Não se lembra?”.
- Não... Não lembro. Onde foi?
“Você preencheu um cupom na loja X e Y. Sua compra foi um pote de 500ml de sonhos. Lembrou?”.
- Ah, mas aquilo era um souvenir. Uma brincadeira. Um vidro bonitinho. Presenteei minha mulher.
“Não João. Não se recusa um sonho assim. Ou você acredita mesmo que minha empresa venderia um produto de conteúdo vazio?”.
- Tinham tantos outros assim. Loja bonita, mas bem estranha. E fazem dois anos que passei por lá. Como pode?
“Os sonhos são sempre assim. Surpreendentes. Por isso fizemos a promoção mais extensa de todo o universo!”.
- Ô moça... E onde que fica essa tal de X e Y?
- É... Passa o endereço aê.
- Eu nunca ouvi falar...
Diante de tantas indagações por parte do público, que até então observara complacente o dialogo arrastado de João Arruda, Helena prende seus cabelos por cima da nuca e retira um punhado de cartões do bolso. Endireita a coluna e apressadamente distribui os cartões aos mais próximos.
“Fez tua escolha? Seu prazo vai expirar. Pense. Tudo que você pode ganhar”.
- Um carro? – Disse João, num resmungo. Arriscando-se em um palpite comum.
“Pode ser. Mas você pode arriscar mais”.
- Um carro e uma casa?
“Tudo que você quiser, João. É isso mesmo?”.
- Mas eu só posso ter isso por uma hora?
“É o trato, João”.
Ele então espalha por sua mente todos os objetos de cobiça que ele já desejara nas inúmeras vitrines em que passou lentamente, por toda sua vida. Mas nada do que ele já havia salivado, pelo menos uma vez, valia ter por apenas uma hora. E tudo o que vale, ele rejeita, pois sabe muito bem que após devolver, sentirá um enorme vazio e se arrependerá de imediato. Mas, pensa João, não vai custar nada mesmo. Já foi muita sorte aquilo estar acontecendo. Mesmo assim, permanece a duvida.
- Eu quero saber que horas são?
- Agora é uma e quarenta e cinco! – Grita apressadamente uma senhora cheia de sacolas penduradas no braço, com medo que João desperdice seu desejo com um pedido de horas.
- E que dia é hoje?
- Hoje é dia 26, quarta-feira, pô! – Falou cuspindo um azulzinho da prefeitura.
Helena fita sorridente o rosto suado e de barba rala de João. Ela apóia as mãos na cintura e o megafone pendurado em seu pescoço balança como um pêndulo, como se tivesse vida própria.
- Eu quero, arroz carreteiro, contra-filé a cavalo, feijão preto, farofa e vinagrete. Banana com canela, sorvete de flocos com calda de chocolate. Duas garrafas geladas de cerveja, uma caipirinha de vodka. Uma garrafinha de água gelada, um suco de abacaxi e um sal de frutas. Quero também um pedido de desculpas pela minha ausência no serviço e que mandem um buquê gigante de flores para minha esposa. Ela não gosta de flores, mas acha romântico. – É isso que João Arruda fala, numa lufada só. Ele está vermelho como um peru e sorridente como um vencedor.
“Muito bem, João”.
A garota de cabelos coloridos retira uma bolsa preta de debaixo do banquinho de praça ao seu lado e guarda o megafone. Estala os dedos com muita força e dois brutamontes saem do meio da multidão. As pessoas ao redor riem do pedido inusitado de João. Helena cochicha entre as cabeças de seus aparentes ajudantes. Ela esta com as sobrancelhas muito altas, quase entregando um sentimento de surpresa.
Em vinte minutos João sente-se como um rei. Sua mesa esta montada no meio do calçadão. Ela tem uma decoração ao estilo caipira. Seus talheres são de ferro, mas muito bonitos. Dois copos de cristal, um prato de porcelana decorado, tamanho gigante. E dois garçons servindo todo o seu pedido. E aquele povo que observa tudo desde o começo, morde os cotovelos de inveja e de fome. A primeira reação é ler o cartão da maravilhosa empresa X e Y. Que para surpresa geral, esta em branco.
- Eita... A moça entregou errado.
- Ta de brincadeira, né?
- Que merda.
Estufado, ligeiramente embriagado, satisfeito e feliz. João levanta com dificuldade da cadeira. Ele arrota sem discrição. Olha a sua volta e acena para o povão. Seus olhos procuram Helena.
“Estou aqui João. Esta satisfeito? Ainda tem cinco minutos para aproveitar aquilo que você ganhou”.
- Ai senhora Helena. Só se eu raspar as migalhas do prato. E ainda falta cinco pra acabar?
“É João Arruda. Mas eu já vou embora. Tudo aquilo que você podia ganhar... Já ganhou. Espero que esteja feliz. Lembre-se sempre de mim. Principalmente da empresa X e Y. Recomende-a a todos. Boa Sorte”.
- É só isso agora?
“Pois é... Até mais”.
E ela virou as costas com sua mochila preta e saiu andando por entre todos. As pessoas queriam demais aborda-la, mas alguma timidez que o porte de Helena provocava, fazia com que todos recuassem. Ela entrou em um furgão branco que estava parado na avenida e partiu.
João Arruda abotoa sua camisa e caminha ritmado ao local de trabalho. As pessoas simplesmente se dispersam e voltam para seu cotidiano, deixando João e sem enchê-lo de perguntas. Seu pensamento de triunfo permeia todo o trajeto. Ele pensa: “Venci. Ela era gente boa. Bonita, com um corpinho dez, meio doida, mas queria me passar a perna. Tomar o que eu pedi depois de uma hora? Há... Até parece. E perder meu almoço? Há... Fui logo mais esperto. Pedi coisa que não tem devolução. Há... Um pedido de desculpas, um gesto de romantismo e comida no estomago. Há, há...”.
Ele chega na farmácia onde trabalha e entra timidamente pela porta dos fundos. Ele vai diretamente ao estoque. Abre a porta e dá de cara com seu patrão.
- Senhor Oswaldo. Já cheguei. Pensei que ia demorar mais, mas...
- Não me interessa. Esse lugar esta uma zona. Você acha que pode inventar horários? Sair e voltar a hora que quiser? Prolongar seu almoço? Não teve o trabalho de nos informar se algo aconteceu. Que falta de responsabilidade e profissionalismo, João.
- Eu... Eu... Eu... Eu mandei uma pessoa vir aqui pedir desculpas e informar o motivo do meu atraso.
- O QUÊ? Seu imbecil. Foi você que mandou aquele caipira desgraçado vir aqui, cair sobre a prateleira de remédios, passar uma hora se desculpando e no fim me falar que você, seu infeliz, estava se fartando de comer no calçadão? Que diabo é isso?
- Perdão... Não foi assim que imaginei... Eu...
- Nada. Pode recolher suas coisas e ir pra tua casa. Ta despedido. Semana que vem você passa aqui e acertamos suas contas.
João lacrimeja os olhos e sai cabisbaixo. Seu coração dispara. Ele tem a sensação de traição. Sua barriga dói, sua cabeça lateja. Ao menos, ele pensa, vai ter o abraço da esposa.
- Não João. Eu juro. Estava na casa da sua mãe até agora. Não recebi nada de flores. Você sabe que eu não gosto. Esta insinuando o quê?
- Mas tem varias pétalas caídas na entrada da casa!
- Veio com o vento então. Eu passo uma hora na casa da sua mãe, que eu não suporto. Chego em casa e você já esta aqui. Esta querendo o quê? Acha que é cornudo? Queria me flagrar? Caiu do cavalo, com essa história de flores.
- Mas... Mas eu...
- Mas nada João... Vai no bar encher a cara com seus amigos vagabundos.
João se arrastou até o bar. Calculando o prejuízo de seus sonhos. Só o que lhe resta é o sabor delicioso de sua refeição recente. Ele senta de canto no bar vazio.
- Salve Arruda. Cedo por aqui, hein?
- É, hoje esta tudo dureza.
- Tem dias que é assim mesmo. O que vai querer João?
- O que eu vou querer? Há... Que boa pergunta.
João pensou em encher a cara, mas passou a mão pela barriga. Seu estomago ronca. Sua boca saliva. Seus pensamentos se concentram em tornar o cheiro gostoso que sai da cozinha do bar, em algo palpável... Comestível.
- Que horas são, Jorge?
- Agora... Deixa eu ver... Duas e cinqüenta da tarde.
- Que fome gigante que estou. Vou querer uma dessa feijoada completa que você esta fazendo.
- Claro João. É pra já. Acompanha um toucinho?
- Acompanha. Obrigado!
No furgão branco, Helena divaga com seus colegas:
- Caracas... Já reparou que a maioria pede comida? Será que eles não têm ambição?
- É verdade, dona Helena.
- Que falta de criatividade. Que chato.
- Pra onde vamos agora?
- Neste bairro aqui do guia, óóóó. Tem uma moça lá de vinte e sete anos que comprou um vidro de 2 litros de amor.


Sérgio Ferrari