Olá pessoal.......Escrever um bom conto leva muito tempo e dedicação....escrever um conto sensacional leva MENOS tempo, principalmente pelo fato de quê idéias boas tendem a surgir como um furacão em momentos inesperados...Bom mas isso não é regra...Este é um conto escrito as pressas, mas não é sensacional. É bom. Estou postando porque amigos que o leram ficaram curiosos para saber aonde termina essa aventura (amigos são tão bonzinhos...*). Estou pensando em escrever uma sequência! E rápido!!!
Diante de um tumulo, no cemitério do parque da pedra, no centro baixo da cidade de Campestres, Vivian e Marcus estavam lado a lado observando a lua cheia esconder-se por entre as nuvens escuras. O vento incessante erguia a longa saia violeta de Vivian e mexia os tufos de cabelo da testa de Marcus.
- Que vento rasteiro forte. Disse Marcus.
- Vento de cemitério. Replicou a garota, abaixando com as mãos sua roupa.
Quatro horas da madrugada e um silêncio pesado pairava no ambiente, somente quebrado pelo assovio do vento.
- O que estamos esperando mesmo? Marcus sentou-se em posição de lótus.
- Algo sobrenatural.
- Me sinto um tolo esperando por horas a fio em um cemitério a aparição de uma alma perdida.
- Você é mesmo um tolo, pois não lhe convidei para vir. E não pretendo ver almas perdidas. Vivian levanta-se e senta sobre a tampa de pedra que cobria o tumulo.
- Você pretende ver... Ah, você não pretende ver nada, só quer falar para seus amigos góticos que passou uma noite no cemitério. Báh!
Diante do semblante fechado que se sobrepôs ao delicado rosto da garota, Marcus interrompeu seu desdém e acendeu um cigarro. A chama do isqueiro fazia tanta iluminação no local que por um momento o assustou, ele apertava seus olhos tentando definir as sombras bruxuleantes que pareciam dançar atrás das arvores, porém, foi interrompido por um forte aperto em seu ombro direito.
- Marcus, você viu? Viu o que passou? Vivian fincava as unhas vermelhas e postiças na camisa do rapaz.
- Espera me solta, você me assustou. Não vi coisa alguma.
Ainda olhando por entre as arvores ela começa a se despir.
- Nossa que viagem, você se drogou e eu não vi?
Vivian aparentava não ouvir e nem sentir a presença de seu amigo.
- Qual é? Vivian, você tem um corpo maravilhoso e isso me excitou muito. Você esta se insinuando para mim? Marcus fica em pé e coloca suas mãos por cima de sua calça de insinuando o seu tesão.
- Vaish Ashtar Mant in hua. Completamente despida a garota, de olhos mel e pele branca como a lua, entoava algumas palavras sem sentido e caminhava vagarosamente para as arvores, balançando seu corpo com moleza.
- Para com isso, já perdi a excitação. Viu isso em algum filme? E a senhorita não vai sair daqui para se embrenhar nessas arvores. Vi, acho que tem alguém lá observando a gente, pode ser o coveiro, ou algum gótico safado, você combinou algo com mais alguém?
Marcus desatou a falar, como era de costume, ele não parava.
- Tem mais sombras lá Vi. Tem mais gente chegando, vamos embora, coloca a roupa. O que vou falar para sua mãe se alguém te pegar?
Sombras com contornos humanos começam a surgir e desafiar a tênue luz que vinha do céu. Apavorado, ele pegou a bolsa da amiga e recolheu seu vestido. Agarrou o frágil braço da garota e começou a puxá-la na direção oposta.
- O que tem aqui dentro que fede tanto?
- Não vamos embora agora. Eles chegaram. Eles chegaram. Eles chegaram, você não viu?
- Quem chegou sua doida? São sombras de arvores que estão se intercalando ao luar, só isso. Mas Marcus sabia que estava se enganando, no entanto, considerou várias possibilidades para aquelas estranhas sombras. Um bando de góticos sacanas, o coveiro e seus amigos ou seus pais mortos de preocupação.
- Hum, mortos de preocupação? Isso é um trocadilho infernal, quando se esta em um cemitério de madrugada.
Ao saírem do colégio naquela noite, Marcus correu atrás da apressada Vivian. Pelos corredores do complexo, ele continuou caminhado de costas sem tirar os olhos dela e também sem parar de falar um amontoado de assuntos impertinentes.
- Então o professor César não parou de dar risada quando comparei o teorema de Pitágoras a uma profecia de Nostradamus, alias, aonde você esta indo com tanta pressa? Posso lhe acompanhar? Amanhã é sábado, poderíamos ir ao cinema, o que acha?
- Para, cala a boca. Vivian freou bruscamente no portão do colégio. – Meu chapa, você fala demais, se não fossemos amigos eu já teria te dado um tabefe. Escuta, quer ver algo assustador? Um amigo da praça dos corvos me disse para passar esta noite no cemitério do parque da pedra. Ta afim?
- Háhá, claro que sim, você não vai ter coragem de entrar e no fim das contas vamos terminar tomando vinho no bar do Geriel.
Rispidamente a garota respondeu: - Não, meu amigo, isso não vai acontecer.
Mudando o tom de voz e querendo aparentar seriedade, Marcus indagou a respeito dessa visita inusitada ao antigo cemitério da cidade.
- Hoje Plutão, o último planeta, reflexo do inferno, entrará em confluência com a terra no plano astral e os portais do além estarão visíveis.
- E você acredita em tudo que lhe falam? Quem foi o idiota que te falou isso?
Marcus pensava nos motivos de estar no cemitério, ele agora estava assustado e ela completamente fora de si. No portão de saída, ele notou a dificuldade que seria escalar novamente aquelas grades pontiagudas.
- Foi um tal de Max, um tipo excêntrico que aparece lá na praça de vez em quando. Ele se veste com túnicas pretas e tem sempre o rosto pintado de branco, sinistro. E ele sobe no banco central e começa a falar histórias que arrepiam a todos.
- Do que esta falando?
- Foi quem me contou do que vai acontecer aqui hoje.
- É um mentiroso, metido a satanista.
-Ninguém sabe o que ele é muito menos de onde veio, e ele me acha bonita.
- O que tem a ver? Ele te fala besteiras e você endeusa o cara?
- Ele me ensinou umas palavras mágicas.
Vivian soltou-se da mão de Marcus e saiu correndo de volta para as arvores.
- Não vá! Sua roupa, sua maluca.
As sombras estavam vivas e se aproximavam do tumulo. Já não necessitavam de nenhum apoio para revelarem seu contorno. Aqueles vultos estabeleciam suas formas originais, e suas túnicas começavam a se espalhar pelo chão, corpos musculosos e tatuados com serpentes se mostravam nus.
- Oh, que maravilha. Eles chegaram.
Vivian saltou com seu corpo desprotegido no dorso de um dos homens. As sombras haviam se revelado. Eram góticos, que haviam se camuflado no cemitério.
- Max, seu diabo, veio me possuir ao luar?
- Claro. Você sabe que hoje todos louvarão o oculto com uma valsa de sexo. Uma orgia esplendorosa. Pois o inferno é de Plutão.
Em Max, havia uma expressão de dor que denotava um esforço tremendo para que as lágrimas não escorressem. Vivian começa a beijá-lo e passar suas mãos pelos enormes cravos de ferro espetados nas costelas de seu companheiro. Marcus caminhava impaciente de volta ao tumulo onde havia passado boa parte de sua noite. Já não estava preocupado com sua amiga e muito menos com a possibilidade do sobrenatural. Sua conclusão é de que tudo foi um grande truque surreal de suas mentes e que foram dois tolos.
- Vivian, você tem razão, vamos esperar o sol nascer e daremos boas risadas disso tud...
Sua respiração foi cortada junto com sua fala, ao olhar a cena em sua frente. Deitados na grama entre as arvores, estavam Max e seus amigos, sem roupas e com os corpos embaraçados. No centro, sua amiga era possuída com violência. Marcus agachou-se atrás do tumulo a sua frente e de olhos mareados perdeu todas as suas crenças e esboços de lógica ao observar a depravação. Vivian gemia alto, enquanto cada um dos possessos a penetrava. Max se levanta e arranca cada um dos cravos de ferro de suas costas, gritando de agonia. O sangue espirrava por cima do gramado úmido de orvalho, e Max pronunciou as mesmas palavras que Vivian já havia pronunciado:
- Vaish Ashtar Mant in hua. Eles chegaram, eles chegaram. Oh amigos, eles chegaram, eles chegaram. Ugh!
As arvores centenárias estralaram seus galhos e se entortaram em direção ao chão. O vento cessou. Uma coloração vermelha preencheu o céu e tudo ao seu redor. Um forte cheiro de podridão impregnou o ar. A massa de corpos se reconstituiu a singularidade de suas naturezas, para observar o fenômeno. Vivian estava inerte, com seu pescoço horrivelmente torcido. O queixo da garota tocava sua própria nuca. Os cravos de Max finalmente haviam sido removidos. Marcus rastejou em direção a saída, sem olhar para trás. Os góticos formaram um circulo. Com os braços apertados uns aos outros, os estranhos rapazes tatuados observavam a garota morta.
- Seja bem vindo Mestre Cerimonial Vaish Aishtar Mant in hua. Gritaram em uníssono.
Das arvores curvadas, uma pequena forma, negra como o universo se formava e serpenteava no ar. As sombras que se tornavam palpáveis em volta da criatura, se assemelhavam a objetos pontiagudos, como lanças, milhares em um só corpo.
- Sou Max, líder terreno. Desejo contato carnal com tuas formas infernais, oh seres antigos, habitantes do ultimo portal. Que o inferno nos brinde com esse presente. Encoberto por seu próprio sangue apontou seu dedo para o corpo sem vida de Vivian. As sombras se ergueram e mergulharam por cima de todos eles. Gritos lancinantes e uma mistura de sangue e bruma negra se espalhando pelo ar tornou a paisagem local um quadro de borrões expressionistas. Desejo, ódio, maldade, sangue, dor e escuridão, se misturavam e se espalhavam pelos túmulos à volta. Um forte estalo e as arvores se partiram ao meio, podres, pondo fim ao espetáculo de horror. Apenas fragmentos de corpos dilacerados e filetes de sangue permaneciam visíveis por entre as folhas das arvores.
- Não tenho medo de tolos. Repetia Marcus, tentando escalar pela terceira vez o portão de ferro do cemitério. O dia já iria raiar. Após cair de mau jeito do lado oposto daquele local amaldiçoado, o garoto apoiou as mãos nas grades e imediatamente foram presas por mais um par de mãos extremamente fortes. Seus olhos dilatados ergueram-se vagarosamente para se fixarem aos olhos de Max. Todo corpo dele era uma massa disforme composta de rostos contorcidos, sangue e veias.
- Eles chegaram, eles chegaram. Os putos me enganaram. Eu era especial e eles deveriam me conceder poderes. Eles chegaram e já se vão.
Max balbuciava suas palavras, quando deixou suas mãos caírem por terra junto com seu corpo. Uma enorme pedra se formou no lugar da aberração, bloqueando todo o grande portão. Marcus, mal humorado, deu as costas à aberração e respondeu com desdém:
- Eles chegaram e prometeram poderes especiais e foram embora sem dar nada. É sempre assim, a mesma história. Com os rituais, a virgem sacrificada, hahahaha, tolices.
Marcus foi embora sonolento e envolvido por outra atmosfera, ela já não estava como antes dessa noite costumava ser, não reconhecia a paisagem a sua volta. Tudo era mais escuro e deformado. Marcus começou a pensar onde havia saído. Ele apertou os passos na direção da escola. Em sua cabeça, mil cenas confusas se alternavam. Ele tinha que avisar algum colega, algum guarda, qualquer um. Quando seus olhos observaram o muro da escola, encontraram apenas montanhas de lixo. Desesperado ele escalou os tijolos sujos e entrou em pânico com quilômetros de sujeira remexida em alguns pontos por figuras deformadas como um borrão de nanquim. Quando todos repetiam insistentemente que algo havia chegado, não eram outros seres, ou espíritos ou demônios. Eram eles mesmos que estavam chegando, imperceptivelmente, para outro lugar, outro mundo, outra dimensão. Onde quer que fosse esse lugar, Marcus foi o único que chegou.
Diante de um tumulo, no cemitério do parque da pedra, no centro baixo da cidade de Campestres, Vivian e Marcus estavam lado a lado observando a lua cheia esconder-se por entre as nuvens escuras. O vento incessante erguia a longa saia violeta de Vivian e mexia os tufos de cabelo da testa de Marcus.
- Que vento rasteiro forte. Disse Marcus.
- Vento de cemitério. Replicou a garota, abaixando com as mãos sua roupa.
Quatro horas da madrugada e um silêncio pesado pairava no ambiente, somente quebrado pelo assovio do vento.
- O que estamos esperando mesmo? Marcus sentou-se em posição de lótus.
- Algo sobrenatural.
- Me sinto um tolo esperando por horas a fio em um cemitério a aparição de uma alma perdida.
- Você é mesmo um tolo, pois não lhe convidei para vir. E não pretendo ver almas perdidas. Vivian levanta-se e senta sobre a tampa de pedra que cobria o tumulo.
- Você pretende ver... Ah, você não pretende ver nada, só quer falar para seus amigos góticos que passou uma noite no cemitério. Báh!
Diante do semblante fechado que se sobrepôs ao delicado rosto da garota, Marcus interrompeu seu desdém e acendeu um cigarro. A chama do isqueiro fazia tanta iluminação no local que por um momento o assustou, ele apertava seus olhos tentando definir as sombras bruxuleantes que pareciam dançar atrás das arvores, porém, foi interrompido por um forte aperto em seu ombro direito.
- Marcus, você viu? Viu o que passou? Vivian fincava as unhas vermelhas e postiças na camisa do rapaz.
- Espera me solta, você me assustou. Não vi coisa alguma.
Ainda olhando por entre as arvores ela começa a se despir.
- Nossa que viagem, você se drogou e eu não vi?
Vivian aparentava não ouvir e nem sentir a presença de seu amigo.
- Qual é? Vivian, você tem um corpo maravilhoso e isso me excitou muito. Você esta se insinuando para mim? Marcus fica em pé e coloca suas mãos por cima de sua calça de insinuando o seu tesão.
- Vaish Ashtar Mant in hua. Completamente despida a garota, de olhos mel e pele branca como a lua, entoava algumas palavras sem sentido e caminhava vagarosamente para as arvores, balançando seu corpo com moleza.
- Para com isso, já perdi a excitação. Viu isso em algum filme? E a senhorita não vai sair daqui para se embrenhar nessas arvores. Vi, acho que tem alguém lá observando a gente, pode ser o coveiro, ou algum gótico safado, você combinou algo com mais alguém?
Marcus desatou a falar, como era de costume, ele não parava.
- Tem mais sombras lá Vi. Tem mais gente chegando, vamos embora, coloca a roupa. O que vou falar para sua mãe se alguém te pegar?
Sombras com contornos humanos começam a surgir e desafiar a tênue luz que vinha do céu. Apavorado, ele pegou a bolsa da amiga e recolheu seu vestido. Agarrou o frágil braço da garota e começou a puxá-la na direção oposta.
- O que tem aqui dentro que fede tanto?
- Não vamos embora agora. Eles chegaram. Eles chegaram. Eles chegaram, você não viu?
- Quem chegou sua doida? São sombras de arvores que estão se intercalando ao luar, só isso. Mas Marcus sabia que estava se enganando, no entanto, considerou várias possibilidades para aquelas estranhas sombras. Um bando de góticos sacanas, o coveiro e seus amigos ou seus pais mortos de preocupação.
- Hum, mortos de preocupação? Isso é um trocadilho infernal, quando se esta em um cemitério de madrugada.
Ao saírem do colégio naquela noite, Marcus correu atrás da apressada Vivian. Pelos corredores do complexo, ele continuou caminhado de costas sem tirar os olhos dela e também sem parar de falar um amontoado de assuntos impertinentes.
- Então o professor César não parou de dar risada quando comparei o teorema de Pitágoras a uma profecia de Nostradamus, alias, aonde você esta indo com tanta pressa? Posso lhe acompanhar? Amanhã é sábado, poderíamos ir ao cinema, o que acha?
- Para, cala a boca. Vivian freou bruscamente no portão do colégio. – Meu chapa, você fala demais, se não fossemos amigos eu já teria te dado um tabefe. Escuta, quer ver algo assustador? Um amigo da praça dos corvos me disse para passar esta noite no cemitério do parque da pedra. Ta afim?
- Háhá, claro que sim, você não vai ter coragem de entrar e no fim das contas vamos terminar tomando vinho no bar do Geriel.
Rispidamente a garota respondeu: - Não, meu amigo, isso não vai acontecer.
Mudando o tom de voz e querendo aparentar seriedade, Marcus indagou a respeito dessa visita inusitada ao antigo cemitério da cidade.
- Hoje Plutão, o último planeta, reflexo do inferno, entrará em confluência com a terra no plano astral e os portais do além estarão visíveis.
- E você acredita em tudo que lhe falam? Quem foi o idiota que te falou isso?
Marcus pensava nos motivos de estar no cemitério, ele agora estava assustado e ela completamente fora de si. No portão de saída, ele notou a dificuldade que seria escalar novamente aquelas grades pontiagudas.
- Foi um tal de Max, um tipo excêntrico que aparece lá na praça de vez em quando. Ele se veste com túnicas pretas e tem sempre o rosto pintado de branco, sinistro. E ele sobe no banco central e começa a falar histórias que arrepiam a todos.
- Do que esta falando?
- Foi quem me contou do que vai acontecer aqui hoje.
- É um mentiroso, metido a satanista.
-Ninguém sabe o que ele é muito menos de onde veio, e ele me acha bonita.
- O que tem a ver? Ele te fala besteiras e você endeusa o cara?
- Ele me ensinou umas palavras mágicas.
Vivian soltou-se da mão de Marcus e saiu correndo de volta para as arvores.
- Não vá! Sua roupa, sua maluca.
As sombras estavam vivas e se aproximavam do tumulo. Já não necessitavam de nenhum apoio para revelarem seu contorno. Aqueles vultos estabeleciam suas formas originais, e suas túnicas começavam a se espalhar pelo chão, corpos musculosos e tatuados com serpentes se mostravam nus.
- Oh, que maravilha. Eles chegaram.
Vivian saltou com seu corpo desprotegido no dorso de um dos homens. As sombras haviam se revelado. Eram góticos, que haviam se camuflado no cemitério.
- Max, seu diabo, veio me possuir ao luar?
- Claro. Você sabe que hoje todos louvarão o oculto com uma valsa de sexo. Uma orgia esplendorosa. Pois o inferno é de Plutão.
Em Max, havia uma expressão de dor que denotava um esforço tremendo para que as lágrimas não escorressem. Vivian começa a beijá-lo e passar suas mãos pelos enormes cravos de ferro espetados nas costelas de seu companheiro. Marcus caminhava impaciente de volta ao tumulo onde havia passado boa parte de sua noite. Já não estava preocupado com sua amiga e muito menos com a possibilidade do sobrenatural. Sua conclusão é de que tudo foi um grande truque surreal de suas mentes e que foram dois tolos.
- Vivian, você tem razão, vamos esperar o sol nascer e daremos boas risadas disso tud...
Sua respiração foi cortada junto com sua fala, ao olhar a cena em sua frente. Deitados na grama entre as arvores, estavam Max e seus amigos, sem roupas e com os corpos embaraçados. No centro, sua amiga era possuída com violência. Marcus agachou-se atrás do tumulo a sua frente e de olhos mareados perdeu todas as suas crenças e esboços de lógica ao observar a depravação. Vivian gemia alto, enquanto cada um dos possessos a penetrava. Max se levanta e arranca cada um dos cravos de ferro de suas costas, gritando de agonia. O sangue espirrava por cima do gramado úmido de orvalho, e Max pronunciou as mesmas palavras que Vivian já havia pronunciado:
- Vaish Ashtar Mant in hua. Eles chegaram, eles chegaram. Oh amigos, eles chegaram, eles chegaram. Ugh!
As arvores centenárias estralaram seus galhos e se entortaram em direção ao chão. O vento cessou. Uma coloração vermelha preencheu o céu e tudo ao seu redor. Um forte cheiro de podridão impregnou o ar. A massa de corpos se reconstituiu a singularidade de suas naturezas, para observar o fenômeno. Vivian estava inerte, com seu pescoço horrivelmente torcido. O queixo da garota tocava sua própria nuca. Os cravos de Max finalmente haviam sido removidos. Marcus rastejou em direção a saída, sem olhar para trás. Os góticos formaram um circulo. Com os braços apertados uns aos outros, os estranhos rapazes tatuados observavam a garota morta.
- Seja bem vindo Mestre Cerimonial Vaish Aishtar Mant in hua. Gritaram em uníssono.
Das arvores curvadas, uma pequena forma, negra como o universo se formava e serpenteava no ar. As sombras que se tornavam palpáveis em volta da criatura, se assemelhavam a objetos pontiagudos, como lanças, milhares em um só corpo.
- Sou Max, líder terreno. Desejo contato carnal com tuas formas infernais, oh seres antigos, habitantes do ultimo portal. Que o inferno nos brinde com esse presente. Encoberto por seu próprio sangue apontou seu dedo para o corpo sem vida de Vivian. As sombras se ergueram e mergulharam por cima de todos eles. Gritos lancinantes e uma mistura de sangue e bruma negra se espalhando pelo ar tornou a paisagem local um quadro de borrões expressionistas. Desejo, ódio, maldade, sangue, dor e escuridão, se misturavam e se espalhavam pelos túmulos à volta. Um forte estalo e as arvores se partiram ao meio, podres, pondo fim ao espetáculo de horror. Apenas fragmentos de corpos dilacerados e filetes de sangue permaneciam visíveis por entre as folhas das arvores.
- Não tenho medo de tolos. Repetia Marcus, tentando escalar pela terceira vez o portão de ferro do cemitério. O dia já iria raiar. Após cair de mau jeito do lado oposto daquele local amaldiçoado, o garoto apoiou as mãos nas grades e imediatamente foram presas por mais um par de mãos extremamente fortes. Seus olhos dilatados ergueram-se vagarosamente para se fixarem aos olhos de Max. Todo corpo dele era uma massa disforme composta de rostos contorcidos, sangue e veias.
- Eles chegaram, eles chegaram. Os putos me enganaram. Eu era especial e eles deveriam me conceder poderes. Eles chegaram e já se vão.
Max balbuciava suas palavras, quando deixou suas mãos caírem por terra junto com seu corpo. Uma enorme pedra se formou no lugar da aberração, bloqueando todo o grande portão. Marcus, mal humorado, deu as costas à aberração e respondeu com desdém:
- Eles chegaram e prometeram poderes especiais e foram embora sem dar nada. É sempre assim, a mesma história. Com os rituais, a virgem sacrificada, hahahaha, tolices.
Marcus foi embora sonolento e envolvido por outra atmosfera, ela já não estava como antes dessa noite costumava ser, não reconhecia a paisagem a sua volta. Tudo era mais escuro e deformado. Marcus começou a pensar onde havia saído. Ele apertou os passos na direção da escola. Em sua cabeça, mil cenas confusas se alternavam. Ele tinha que avisar algum colega, algum guarda, qualquer um. Quando seus olhos observaram o muro da escola, encontraram apenas montanhas de lixo. Desesperado ele escalou os tijolos sujos e entrou em pânico com quilômetros de sujeira remexida em alguns pontos por figuras deformadas como um borrão de nanquim. Quando todos repetiam insistentemente que algo havia chegado, não eram outros seres, ou espíritos ou demônios. Eram eles mesmos que estavam chegando, imperceptivelmente, para outro lugar, outro mundo, outra dimensão. Onde quer que fosse esse lugar, Marcus foi o único que chegou.
Sérgio Ferrari

